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Contrabando #01: Cultura Tomada de Assalto

Martin Scorsese define boa parte dos cineastas americanos como contrabandistas. Contrabando é fingir que cocaína é açúcar. Orson Welles faz isso quando disfarça A Marca da Maldade de filme policial barato. John Cassavetes faz isso com A Morte de um Bookmaker Chinês. E Godard também, ao fingir que King Lear é uma adaptação fidedigna de Shakespeare. Eu mesmo fiz Une aventure de Billy le Kid passar por faroeste. O contrabando está no coração do cinema.

Luc Moullet em Notre alpin quotidien – Entretien avec Luc Moullet, 2009.

“O contrabando está no coração do cinema.” — a frase de Luc Moullet, cineasta e crítico de cinema francês, pode até funcionar para definir uma ideia de cinema de primeiro-mundo, mas é pouco para explicar o que acontece aqui. Na descida até o terceiro-mundo, o contrabando deixa de ser coração e se torna fígado. Porque além de ideologia, aqui contrabando também é a transgressão das normas e regras, a fraude, a enganação, a miséria, a fome, a lama e o caos. É tudo que foi pelos ares quando isso explodiu. Mas é, também, aquilo que sobrou para contar a história, mesmo que na clandestinidade. E é disso que nasce a Contrabando, uma revista digital de muambas, cinema, músicas e investigações sobre tudo que é desgraçado e não tem como dar certo.

Contrabando, edição #01:
A Ilha dos Prazeres Proibidos e o Contrabando Ideológico Pelo Cinema, por Matheus Fiore

Desconhecido no Meio da Multidão: O Brasil de Sganzerla e Welles, por Maicon Firmiano

Propaganda da Subversão, vídeo por Adrian Albuquerque

A Verdade Fraudada de Chico Albuquerque, por Eduardo Bolzan

Showgirls: As Transgressões de Um Contrabandista Holandês, por Wallace Andrioli

Toda Lei Deve Ser Transgredida (Luc Moullet)